Skip to Content

A primeira vez

Recomendado 0 vezes

Partilhar

:

A primeira vez

PRIMEIRA RELAÇÃO SEXUAL


Quer tenhas ou não relações sexuais, a sexualidade faz parte de ti. Sentires e conheceres o teu corpo e desenvolveres a tua capacidade sexual são necessidades básicas na adolescência. No entanto, embora a sexualidade seja algo natural e, hoje em dia, o sexo esteja em praticamente todo o lado, muitas raparigas ainda consideram o sexo como algo vergonhoso, sobre o qual custa falar abertamente com as amigas e, inclusive, com o seu parceiro. Quando decides ter uma primeira relação sexual, é fundamental poderes falar abertamente com o teu parceiro, sobre aquilo que esperas, sobre as dúvidas que tenhas, o método contracetivo, o sexo seguro, etc. Nunca penses que o teu parceiro sabe mais sobre sexo do que tu e que, portanto, já não terá dúvidas sobre como fazê-lo bem. Atenção, que é normal sangrar nas primeiras relações, é o chamado sangramento da primeira vez.

Uma relação sexual envolve muito mais do que a simples relação com penetração (coito). Envolve desfrutar e sentir plenamente com todas as possibilidades que o nosso corpo nos oferece. A penetração é apenas uma parte do contacto sexual e é normal sangrar nas primeiras relações. Beijar uma pessoa de quem gostas, abraçá-la, tocar-lhe ou acariciar-lhe o corpo (e a outra pessoa fazer o mesmo) são formas diferentes de ter contacto sexual. Cada casal deve decidir como vive a sua própria sexualidade, que pode ser de um modo muito diferente de como outros casais a vivem.

Por isso, não existem normas nem receitas que te digam o que é o normal. Tanto pode ser normal iniciarem-se com uma relação com penetração como começarem com outros meios de exploração da vossa sexualidade para conseguirem conhecer-se melhor antes de chegarem ao coito. Durante um ato sexual, o importante é que exprimas exatamente o que queres fazer e que saibas que, a qualquer momento, podes deixar de o fazer. O sexo só é divertido se ambos estiverem de acordo com o que fazem. Nunca faças nada que não te apeteça por imposição do teu parceiro.

Também não existe uma postura "melhor" para as primeiras vezes nem receitas para atingir o famoso orgasmo. O orgasmo é o momento de descarga da tensão sexual, é uma sensação que se sente tanto física como psicologicamente. Em geral, provoca um grande prazer e costuma durar poucos segundos, nos quais se podem sentir contrações involuntárias dos músculos da zona genital e uma grande tensão em todo o nosso corpo, seguida de uma intensa sensação de prazer e de uma fase de relaxamento. O orgasmo varia de situação para situação, e em função das circunstâncias físicas e psicológicas, pelo que nem todos os orgasmos são iguais nem sempre se atingem da mesma forma. Para além disso, é normal sangrar nas primeiras relações de penetração mas nem toda a gente sofre de sangramento na primeira vez.

CONTRACEÇÃO E ADOLESCÊNCIA

Para viveres uma sexualidade em que possas desfrutar do sexo sem receios, é muito importante que te informes bem, e de forma contrastada, sobre os métodos contracetivos. Estes têm como objetivo evitar a gravidez. Existe uma grande variedade de métodos para a mulher, que atuam com mecanismos muito diversos, e outros exclusivos para o homem. O importante num método contracetivo é que seja eficaz, e a eficácia depende muito do uso correto do mesmo.

Decidir que tipo de contracetivo é o mais adequado para cada mulher não é fácil, já que cada contracetivo tem as suas vantagens e inconvenientes. Além disso, um método contracetivo adequado numa situação pode deixar de o ser noutra nova, como, por exemplo, se mudares de parceiro. É sempre melhor que um profissional de saúde (ginecologista, centro de planeamento familiar ou médico de família) te ajude a decidir qual é o melhor método contracetivo para ti.

Em geral, nas primeiras relações com penetração, são aconselháveis primordialmente os métodos de barreira, principalmente o preservativo. É importante que as raparigas saibam que pode haver algum sangramento na primeira vez. O preservativo masculino é uma bolsa muito fina, elástica e resistente que é colocada sobre o pénis, quando está ereto, sempre antes da penetração. O preservativo feminino é menos conhecido e usa-se menos, tem uma forma cilíndrica e é tão fácil de introduzir como um tampão. Ambos os tipos de preservativo podem ser de látex e de poliuretano.

O preservativo protege contra a gravidez e as infeções sexualmente transmissíveis. Se for sempre usado de forma correta e seguindo as instruções, atinge uma eficácia de 98-99%. Convém usá-lo em todos os dias do ciclo (mesmo durante a menstruação) e sempre que houver penetração. Deve ser colocado antes da penetração, não apenas no momento da ejaculação. Além disso, pode-se usar outro método associado ao preservativo, como, por exemplo, a contraceção hormonal, assegurando-te assim quase 100% de eficácia contra a gravidez não desejada e as infeções sexualmente transmissíveis.

A contraceção hormonal é outro método contracetivo adequado para a adolescência. Atualmente, pode-se usar em forma de pílulas, adesivos ou anéis vaginais. São compostos por hormonas que impedem a ocorrência da ovulação. No entanto, deves ter em conta que não protege contra as infeções sexualmente transmissíveis.

No caso de uma relação não protegida ou se houver suspeitas de uma falha do método contracetivo habitual (como, por exemplo, se o preservativo romper ou ficar retido na vagina), deve-se fazer uma contraceção de emergência. Atualmente, existem dois métodos: a pílula do dia seguinte ou a inserção de um dispositivo intra-uterino (DIU) antes de passarem 5 dias após a relação sexual, embora, na adolescência, o primeiro método seja mais recomendável.

A pílula do dia seguinte (também chamada contraceção de emergência ou contraceção pós-coital) consiste em tomar uma pílula depois de uma relação sexual sem proteção, para evitar a gravidez. Não é abortiva, já que não interrompe uma gravidez estabelecida. Tem uma eficácia de 80%, evita 7 em cada 8 gravidezes. O ideal é começar a tomá-la antes de passarem 48 horas após o momento da relação sexual de risco, mas, se necessário, pode-se tomar até 5 dias depois. No entanto, quanto mais cedo se tomar a pílula, maior será a sua eficácia, pelo que é aconselhável tomá-la o mais brevemente possível.

Atualmente, é um fármaco que está à venda nas farmácias, e não é necessária receita médica para comprá-la. Lembra-te de que a pílula do dia seguinte é um método de uso ocasional e não pode, em caso algum, substituir os meios habituais de contraceção.


SEXO SEGURO

A tua saúde sexual não passa apenas por evitar uma gravidez não desejada, mas também por evitar as condutas de risco que aumentam a probabilidade de contraíres uma doença sexualmente transmissível (D.S.T.). Atualmente, considera-se que existem mais de 30 infeções sexualmente transmissíveis. Evidentemente, a mais perigosa continua a ser a SIDA (vírus da imunodeficiência humana), embora não nos possamos esquecer da gonorreia, das hepatites, do herpes, da sífilis e das clamídias, que são infeções que também podem causar transtornos importantes.

Usar sempre o preservativo nas relações com penetração, nas relações sem penetração em que o sémen contacte com a vagina, no sexo oral e no sexo anal, é a primeira arma para prevenir as infeções sexualmente transmissíveis, além de, conforme já comentámos, te proteger contra a gravidez não desejada.

Está provado que, se iniciares precocemente as relações sexuais, apresentas maior risco de contágio de D.S.T. ou de uma gravidez não desejada. Contudo, não existe uma idade específica a partir da qual uma mulher possa começar a ter relações sexuais com segurança. Desde que estejas bem informada sobre a contraceção e o sexo seguro, pode ser quando tu quiseres e quando te sentires preparada. É tão normal uma rapariga iniciar-se muito jovem como mulheres que decidem manter-se virgens até terem um parceiro estável ou até casarem, e, inclusive, algumas que decidem nunca ter relações sexuais. Lembra-te que não tens que fazer nada que não queiras e que é normal sangrar nas primeiras relações.

Também está provado que ter múltiplas relações (tu ou o teu parceiro) aumenta o risco. Por isso, é muito importante conhecer a vida sexual do parceiro. Deves poder falar com o teu parceiro sobre as relações sexuais no passado, se tem outras relações no mesmo momento e se teve algum antecedente de doença sexualmente transmissível ou de uso de drogas intravenosas. Com esta informação, poderás avaliar o risco da relação e decidir que precauções deves tomar.

Por último, deves saber que o ginecologista é o melhor aliado para cuidar da tua saúde sexual. Se tiveres relações sexuais, deves fazer um check-up ginecológico por ano, mas também é aconselhável ires ao ginecologista no momento, ou antes, de iniciares as relações sexuais, fundamentalmente para te informares acerca dos métodos contracetivos. Além disso, esta primeira consulta é uma boa oportunidade para perguntares qualquer dúvida que te preocupe relacionada com o sexo seguro ou com o teu próprio desenvolvimento sexual. Para além disso se achares que tens sangramento de primeira vez anormal, avisa o teu médico.

Artigo elaborado pelo Comité Médico de Saúde da Mulher Dexeus - Fundação Dexeus Saúde da Mulher.

ARTIGOS RELACIONADOS

El aparato reproductor feminino y masculino 140

O sistema reprodutor feminino e masculino

El embrazo en la adolescencia 140

A gravidez na adolescência

Los metodos anticonceptivos 140

Os métodos contraceptivos

Consentimento de cookies